Mostrar mensagens com a etiqueta Tradição. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Tradição. Mostrar todas as mensagens

quinta-feira, 13 de setembro de 2012

De capuz, chapelinho e gorro...

.
Editado no âmbito do bicentenário da primeira edição dos contos dos irmãos Grimm (1812), o 5.º volume da colecção Percursos da Literatura Infanto-Juvenil, intitulado De capuz, chapelinho ou gorro - Recriações de O Capuchinho Vermelho na Literatura Portuguesa para a Infância, de Sara Reis da Silva, apresenta um conjunto de leituras em torno de uma das mais famosas narrativas aí incluídas: O Capuchinho Vermelho.
Este texto, tornado famoso, em 1697, pela mão de Charles Perrault e, posteriormente, no século XIX, pela mão dos referidos folcloristas alemães, além de pertencer à memória literária colectiva universal e de constituir um dos textos mais lidos em contextos formais e não formais de contacto com a leitura literária, tem sido alvo de inúmeras recriações no nosso país (e não só). Assim, tendo como objecto de estudo obras/textos de autoria variada e genelogicamente diversos (designadamente de Alice Gomes, Luísa Ducla Soares, Alice Vieira, Matilde Rosa Araújo, Vergílio Alberto Vieira ou Manuel António Pina, entre outros), as análises reunidas neste livro articulam uma abordagem da vertente verbal e da componente ilustrativa (assinada, por exemplo, por João da Câmara Leme, André Letria ou Paula Rego). A diversidade de referências aqui incluídas poderá possibilitar a outros investigadores, profissionais de educação e mediadores de leitura mais ou menos especializados uma leitura alargada e/ou um/a eventual conhecimento/consolidação de reescritas e revisitações da história clássica protagonizada pela menina do Capuchinho Vermelho.
(Via Tropelias&Companhia)

.

sexta-feira, 29 de abril de 2011

Petit Lapin Rouge, de Rascal e Claude K. Dubois

.


Nesta recriação paródica e subversiva do tão célebre e clássico conto do Capuchinho Vermelho, cujas versões mais famosas são as Charles Perrault e dos Irmãos Grimm, é “Coelhinho Vermelho” que protagoniza a história e que empresta, aliás, o título ao livro. Coelhinho Vermelho, que terá caído, na sua infância, num balde de tinta vermelha, é
encarregado pela mãe de levar um cesto de iguarias à sua avó. No caminho, cruza-se com Capuchinho Vermelho que também vai visitar a sua. Cada um deles conhece a história do outro, mas nenhum ousa relembrá-la pelo seu trágico desenlace. Resolvem, então, pregar uma partida aos seus escritores, reescrevendo juntos um final feliz para as suas histórias. E quando tudo parece acabar bem, eis que, num estilo que lhe é muito peculiar, Rascal semeia a dúvida junto dos seus leitores com um desfecho ambíguo e simultaneamente humorístico, sublinhando a originalidade e o carácter inovador deste álbum. Com belíssimas ilustrações, marcadas pela leveza do traço, e que complementam e se aliam de forma harmoniosa à simplicidade da componente verbal, Petit Lapin Rouge é um livro original a não perder!




Ficha técnica:

Título
Petit Lapin
Rouge | Autor Rascal | Ilustrador Claude K. Dubois | Editora L'école des Loisirs | Local Paris | Data de edição 2001 | ISBN
978-2211044240

Carina Rodrigues (in Casa da Leitura)
.

sexta-feira, 21 de janeiro de 2011

Le code de la route, de Mario Ramos

.
Exímio criador de álbuns ilustrados, Mario Ramos oferece-nos mais um título imperdível:


Inserida na tipologia do álbum visual, esta história recria, numa versão adulterada e, até, modernizada do conto clássico imortalizado por Perrault, o percurso do célebre Capuchinho Vermelho até à casa da sua avozinha. Com efeito, se esta narrativa convida, por um lado, ao jogo intertextual pela recuperação de personagens e dos principais espaços físicos contemplados pelo texto-matriz, não isenta, por outro, a intriga de uma forte subversão e parodização. Porque nada trava o progresso, a floresta é agora atravessada por uma pequena estrada, onde a menina se desloca de bicicleta, devendo manter-se atenta a um conjunto de sinais de trânsito que a previnem do aparecimento súbito e sucessivo de diferentes personagens tradicionais. Mais do que ensinar, de forma lúdica e humorística, o código da estrada, tal como o próprio título aduz, este livro sugere uma espécie de código da vida, alertando para a importância do respeito de todas as regras que permitam uma passagem imperturbável da idade da menina do capuz vermelho à idade da anciã.

(Carina Rodrigues, in Casa da Leitura)

quarta-feira, 15 de dezembro de 2010

Le tunnel, de Anthony Browne

.

Este álbum de forte cariz simbólico e moralizante sobre o antagonismo fraterno narra a história de um rapaz, turbulento e temerário, e de uma menina, medrosa e grande leitora, que a mãe, um dia, farta dos seus desentendimentos, repreende e manda brincar fora de casa. Num universo com fortes ressonâncias do conto tradicional, os dois irmãos deambulam então até ao túnel que dá título ao livro e são conduzidos a uma floresta densa e assustadora, onde ambos descobrem, rápida e inadvertidamente, que todo o malefício pode ser perfeitamente quebrável através de um simples gesto afectuoso, como o, aqui, materializado no abraço dos protagonistas. O discurso verbalmente simples e linear encerra o álbum no silêncio e na complexidade da questão tratada e apoia-se numa componente pictórica particularmente expressiva e rica em detalhes e intertextualidades, oscilando entre o mundo real e o território do maravilhoso e desempenhando um papel significativo na atracção do leitor.

Carina Rodrigues (in Casa da Leitura)

domingo, 31 de outubro de 2010

A bruxa arreganhadentes, de Tina Meroro e Maurizio A. C. Quarello (ilust.)

.

Finalmente editado em língua portuguesa, com magníficas ilustrações de Maurizio A. C. Quarello que sublinham de forma quase expressionista o ambiente de medo e de terror em que a narrativa se desenrola, A bruxa arreganhadentes consiste na recriação de um conto tradicional cujo objectivo era exactamente a promoção do medo, na procura da sua libertação através da catarse. O álbum da OQO insere-se, por isso, num universo ao qual a literatura para a infância contemporânea não tem dado especial atenção, mas que é revelador das origens tradicionais do género e da ligação ao maravilhoso, associadas ao gosto intemporal pelo horror. O leitor é chamado a identificar-se com as crianças protagonistas e a associar-se a elas na luta desigual contra a figura terrífica da bruxa, evocando os confrontos que fazem parte do património literário oral e tradicional.

Ana Margarida Ramos (in Casa da Leitura)

quarta-feira, 13 de outubro de 2010

"Sopa de contos" ou "Cozido tradicional"...


Ingredientes:

  • 1 lobo
  • 1 Capuchinho Vermelho
  • 1 caçador
  • 1 Branca de neve
  • 7 anões
  • 3 porquinhos
  • 7 cabritinhos


Modo de preparação:

Num grande caldeirão, leva-se o lobo ao lume. Quando começar a ferver, juntam-se os restantes ingredientes. Rega-se com imaginação e salpica-se com uma boa dose de humor e de nonsense. Deixa-se cozinhar até apurar bem. Depois de cozido, escorre-se e serve-se bem quente, polvilhado com suspense.

Deixam-se algumas sugestões de apresentação. Bom apetite e óptimas leituras!




Numa narrativa de estrutura acumulativa, Os Três Porquinhos, Pedro e o Capuchinho Vermelho, entre outras vítimas do tradicional vilão da literatura de potencial recepção infantil, procuram refúgio em casa do Senhor Coelho, depois de terem lido uma notícia terrífica: “O lobo voltou!” – saliente-se, a este propósito, o pormenor humorístico de cada personagem ler a notícia num jornal dirigido à sua espécie. Temendo a sua chegada, mas aproveitando a ocasião de se encontrarem todos reunidos para preparar um belo jantar, são surpreendidos pela chegada da personagem temida. Porque “a união faz a força”, a hora da vingança chega para estas personagens que, em tantos contos, o feroz predador aterrorizou (e algumas devorou…), e todas se juntam para lhe mostrar que já nada as faz temer. A componente pictórica, particularmente sugestiva, é merecedora de uma leitura atenta, pela pluralidade de significados que sugere. Os efeitos sonoros e rítmicos que caracterizam o discurso espelham a feição dinâmica do texto que, pela estrutura paralelística e repetitiva que o suporta, encoraja a sua recriação por parte da criança. Uma história angustiante mas carregada de humor, que surpreenderá e divertirá os seus leitores.




Num digestivo passeio pela floresta, um lobo muito convencido resolve perguntar a quem com ele se cruza o que pensam dele. É então que, seguindo uma estrutura acumulativa, surgem várias personagens dos contos tradicionais (um coelho, o Capuchinho Vermelho, o
s Três Porquinhos, e os Sete Anões – atente-se, aqui, na piscadela de olho ao leitor, pela estranheza da associação proposta) que, para se protegerem do irascível predador, o reconfortam e enaltecem a sua narcísica convicção, dizendo-lhe tudo aquilo que esperava ouvir: que é ele o mais forte! A reviravolta instaura-se e a sua vida vacila, precisamente quando, apesar da sua inferioridade, uma pequena criatura, “uma espécie de sapo”, ousa contestar a sua superioridade universal e declarar que a mais forte é a sua mãe! Num desfecho que acaba por inverter as expectativas do leitor – e apenas reconhecível na simbiose entre as duas narrativas, visual e textual –, este é um livro que abre o debate sobre as relações de poder entre os indivíduos. A componente verbal, caracterizada pela brevidade e coloquialidade do discurso, alia-se a um conjunto de imagens, inconfundíveis do panorama ilustrativo do duplo autor, pela sua pluralidade cromática e pela expressividade do traço que, para além de a complementarem, alargam o seu sentido, espelhando de forma clara as personagens e os cenários centrais, e facilitando, deste modo, o processo de identificação dos leitores.




Lucas, o lobo-protagonista desta história, vem subverter a figura associada ao tradicional vilão numa personagem agora afável e sentimental, que, para grande tristeza da sua família, resolve sair de casa e viver a sua vida. Antes de partir, o pai, resignado, entrega-lhe uma lista dos melhores sustentos, mas, infelizmente para o seu esfaimado ventre, o jovem lobo é demasiado sensível e deixa escapar a suculenta cabra e seus sete cabritinhos, o atraente capuchinho vermelho, ou os três anafados porquinhos. O humor é o principal motor da obra, que brinda a criança com um discurso verbalmente simples e directo e umas ilustrações muito coloridas, que não só recriam, com clareza e expressividade, as personagens e os momentos-chave da diegese, como acrescentam inúmeros pormenores indutores de uma pluralidade de níveis de leitura. Eis, pois, uma história divertida de um lobo atípico e anti-conformista a que se afeiçoará qualquer leitor.

Carina Rodrigues (in Casa da Leitura)