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terça-feira, 20 de dezembro de 2011

Os mil brancos dos esquimós, de Isabel Minhós Martins e Madalena Matoso

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Álbum premiado, Os Mil Brancos dos Esquimós conduz o leitor pelas brancuras do Árctico, estimulando a sua curiosidade em relação à vida da civilização esquimó. Na voz de um pequeno inuíta, dão-se a conhecer os mais variados tipos de brancos que distinguem este povo tão exótico.

Além de uma componente verbal particularmente simples e atractiva, que não só se aproxima do registo infantil como facilita a sua leitura, pelos inúmeros jogos visuais que a mancha tipográfica promove, a obra compõe-se, ainda, de um conjunto amplo de expressivas e originais ilustrações em formato sangrado, assentes no recurso ao recorte e à colagem de diversos materiais reciclados, e harmoniosamente articuladas com o ambiente natural sugerido, apostando na variação de planos e perspectivas para se centrarem nas personagens e nos momentos-chave da narrativa.


Ficha técnica:

Título
Os mil brancos dos esquimós
 | Autor Isabel Minhós Martins | Ilustrador Madalena Matoso | Editora OQO | Local Pontedevedra | Data de edição 20011 | ISBN
978-84-9871-301-5

Carina Rodrigues (in Casa da Leitura) .

segunda-feira, 29 de agosto de 2011

O dinossauro, de Manuela Bacelar

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Num registo em primeira pessoa e aparentemente infantil, O dinossauro, primeiro álbum escrito e ilustrado por Manuela Bacelar, narra a viagem de um gigante dinossauro que acorda, passados milhões de anos, levando consigo todas as «pessoas e animais» que nele moravam por acreditarem tratar-se de um monte.

Numa combinação sinérgica de palavras e imagens, os habitantes desta inusitada aldeia são levados a percorrer os mais variados cantos do mundo e a ver «gente igual, gente diferente», «casas de todos os tamanhos», cores e feitios. Assente no recurso a uma estrutura paralelística, a componente plástica deste volume convida a criança-leitora a conhecer os lugares, os climas e os ciclos diários mais contrastantes, viajando por países desérticos e quentes, e por outros mais povoados e frios, onde «num instante era noite, e num instante era dia».

As valiosas composições pictóricas que ocupam as suas duplas páginas – frequentemente dispostas num formato sangrado – sensibilizam o leitor para a magnificência da diversidade étnica/racial e cultural universal.





Transportado para o coração dos cinco continentes, o leitor é levado a descobrir personagens diferentes pela cor, fisionomia e indumentária – incluindo outras figuras do imaginário infantil e perfeitamente adequadas às suas preferências pela ludicidade e pelo encantamento que promovem –, e a deslumbrar-se com alguns monumentos, habitações e outros ícones representativos dos mais variados países, activando a sua curiosidade por tradições, costumes e experiências de vida alheias.




Porque aceitar a diferença implica ir mais além do reconhecimento e acolhimento de uma multiplicidade de sujeitos e de práticas, mais do que informar o leitor da coexistência de diversas nações e culturas, no trilho de uma educação multicultural, O dinossauro pode muito bem contribuir para uma consciencialização da importância e da necessidade de uma convivência entre elas, elucidando acerca da riqueza e dos benefícios de um diálogo intercultural, não apenas de um ponto de vista social como científico e formativo.


Ficha técnica:

Título O dinossauro | Autor Manuela Bacelar | Ilustrador Manuela Bacelar | Editora Afrontamento | Data de edição 1990 | ISBN 972-36-0248-2


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Breves notas biobibliográficas:


Manuela Bacelar nasceu em Coimbra, em 1943, e realizou os seus estudos secundários na Escola de Artes Decorativas Soares dos Reis, no Porto, concluindo, em 1970, o Curso de Ilustração na Escola Superior de Artes Aplicadas, em Praga.


Dedicada à ilustração desde 1988, a autora e artista plástica conta já com inúmeras exposições individuais e colectivas, participando regularmente em Bienais de Ilustração, assim como em Exposições Internacionais de Ilustração, tendo sido seleccionada pela Diesertina Veriag para o livro Modernos Ilustradores Europeus. Em 1989, foi premiada com a Maçã de Ouro da Bienal Internacional de Bratislava e, em 1990, com o Prémio Gulbenkian de Ilustração, pelas suas ilustrações em Silka de Ilse Losa (1989).


Conhecida do público infantil, há perto de três décadas, por uma obra consistente, e merecedora de várias distinções ao nível nacional e internacional, Manuela Bacelar afirmou-se, sobretudo, enquanto pioneira na criação de álbuns infantis em Portugal, sendo autora e ilustradora da maioria das suas obras.


Em 1992, foi Nomeada para o Prémio Octogones em França, pelo seu título O Meu Avô (1990), cuja tradução lhe concedeu, em 1993, o Prémio Paolo Vergero da Universidade de Pádua (Itália) e, em 1994, o Prémio Octogones para um dos melhores livros estrangeiros publicados em França, Mon Grand Père. Em 1996, é-lhe atribuído, ainda, o Prémio de ilustração do Ministério da Cultura/IBBY pelas ilustrações de A Sereiazinha de A. C. Andersen e, no ano de 2000, recebe o Prémio António Botto de Literatura Infantil, pela sua produção artística em A Borboleta Leta de Maria de Lourdes Soares.


A par da sua actividade plástica que a levou a assinar, já, cerca de 150 textos visuais, Manuela Bacelar é, ainda, autora de um conjunto significativo de obras, contando, já, com mais de meia centena de publicações em Portugal, Dinamarca, França, Japão, Marrocos e Líbano, ocupando, assim, um lugar incontestável no universo da literatura portuguesa contemporânea para a infância.



domingo, 20 de fevereiro de 2011

Moja means one, de Muriel e Tom Feelings

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Distinguido, em 1971, com o Caldecott Honor, este álbum de Muriel e Tom Feelings não só ensina a contar até dez em suaíli, como serve de passaporte para o universo e a cultura do leste africano. Cada número é apresentado numa dupla página ilustrada, através da evocação de espaços geográficos – o inconfundível Kilimanjaro –, de jogos infantis – como o chamado Mankala –, das típicas árvores de café, de peixes do Nilo e de alguns animais da savana, de instrumentos musicais, indumentárias e outros aspectos culturais. As ilustrações suaves – com recurso ao carvão – e particularmente expressivas, além de recriarem fiel e pormenorizadamente a população e o cenário africanos, complementam o texto e prolongam o efeito de contagem, retomando as sucessivas sugestões numéricas – por exemplo, nas páginas correspondentes ao algarismo Nne (quatro), o texto descreve um costume local e as imagens mostram quatro mulheres africanas a carregarem os seus filhos às costas. Saliente-se, ainda, uma pequena introdução que o livro inclui nas suas primeiras páginas, e que faculta aos seus leitores um conjunto de informações sobre África e as línguas faladas naquele continente.


Ficha técnica:


Título
Moja means one - Swahili counting book
| Autor Muriel Feelings | Ilustrador Tom Feelings | Editora Puffin books | Local New York | Data de edição 1992 | Data da 1.ª edição 1976 | ISBN 978-0140546620


Carina Rodrigues (in Casa da Leitura)