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segunda-feira, 19 de setembro de 2011

Chhht!, de Sally Grindley e Peter Utton

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Numa história de cortar o fôlego, duas misteriosas personagens apressam-se a entrar no castelo de um temível gigante. Prudentes e silenciosas para não correrem o risco de o acordar, incitam o leitor a acompanhá-las nesta aventura palpitante de atravessar, página a página, todas as divisões desta tão nebulosa habitação. O suspense e a tensão sobem à medida que se viram as páginas, e só na última, em que se atinge o ponto climático da intriga, o leitor entenderá que está nas suas mãos a solução para seu o desfecho.

Numa harmoniosa sinergia entre um texto, pautado por uma simplicidade lexical e sintáctica, e ilustrações cuja qualidade se manifesta na forma como, de mãos dadas, conseguem imprimir movimento e dinamismo, ao longo das páginas, pela variação de planos, perspectivas e luzes, enfatizando, deste modo, os momentos marcantes, esta história impele à reflexão e à criação de expectativas quanto ao desenlace. Pela sua configuração pull the tab, em que cada porta, janela ou casa reserva muita surpresa, Chhht! revela-se um álbum narrativo extraordinariamente original, marcado pelo suspense e pelo humor, garantidos da primeira à última página – aliás, desde a capa até à contracapa –, e que fomentará, sem dúvida, o seu reconto… por miúdos e graúdos!





Ficha técnica:

Título
Chhht!
| Autor Sally Grindley | Ilustrador Peter Utton | Editora L'école des Loisirs | Local Paris | Data de edição 2002 | ISBN
978-221102-3412


Carina Rodrigues (in Casa da Leitura)



domingo, 31 de outubro de 2010

A bruxa arreganhadentes, de Tina Meroro e Maurizio A. C. Quarello (ilust.)

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Finalmente editado em língua portuguesa, com magníficas ilustrações de Maurizio A. C. Quarello que sublinham de forma quase expressionista o ambiente de medo e de terror em que a narrativa se desenrola, A bruxa arreganhadentes consiste na recriação de um conto tradicional cujo objectivo era exactamente a promoção do medo, na procura da sua libertação através da catarse. O álbum da OQO insere-se, por isso, num universo ao qual a literatura para a infância contemporânea não tem dado especial atenção, mas que é revelador das origens tradicionais do género e da ligação ao maravilhoso, associadas ao gosto intemporal pelo horror. O leitor é chamado a identificar-se com as crianças protagonistas e a associar-se a elas na luta desigual contra a figura terrífica da bruxa, evocando os confrontos que fazem parte do património literário oral e tradicional.

Ana Margarida Ramos (in Casa da Leitura)