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terça-feira, 23 de setembro de 2014

Congresso Internacional: The child and the book 2014

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Decorre até ao dia 30 de setembro a chamada de trabalhos para o "The Child and the Book Conference. Children’s Literature – Fractures and Disruptions", que terá lugar na Universidade de Aveiro, de 26 a 28 de março de 2015.


Mais informações sobre o encontro AQUI


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terça-feira, 6 de maio de 2014

Novidades...

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... na Kalandraka:




... na Orfeu Negro:

 


               ... e, ainda, brevemente...





quarta-feira, 29 de janeiro de 2014

Novidades...


... na Orfeu Mini



... na OQO





... no Planeta Tangerina





... na Kalandraka
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e, ainda, muito brevemente...


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e e

segunda-feira, 27 de janeiro de 2014

Convocatória: VII Prémio Internacional Compostela




Encontra-se aberto o concurso para o VII PRÉMIO INTERNACIONAL COMPOSTELA PARA ÁLBUNS ILUSTRADOS. As propostas deverão ser originais, inéditas e escritas em qualquer uma das línguas oficiais da Península Ibérica. Os trabalhos deverão ser enviados até ao próximo dia 7 de março de 2014. O prémio, atribuído pelo Departamento de Educação do Município de Santiago de Compostela em conjunto com a editora Kalandraka, tem um valor de 9 000 euros.


quarta-feira, 23 de outubro de 2013

Ler o mundo através da Arte: O sonho de Mateus, de Leo Lionni

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Em 2013, duas décadas volvidas desde a sua edição original, é com a reconhecida chancela da Kalandraka que chega aos nossos escaparates um dos mais importantes clássicos do álbum literário para a infância (Roig Rechou, 2011) – e um dos últimos do autor: O sonho de Mateus, de Leo Lionni (1910-1999). Influenciadas pela estrutura fabulística, as histórias mundialmente premiadas e difundidas do ilustrador holandês − cuja notoriedade (quase) dispensa apresentações −, não só destacam uma visão humaníssima da infância, do mundo e da vida, como se impregnam de um cariz autobiográfico, alimentado por memórias da convivência com a arte e a natureza, num tempo livre de imposições.

Na senda de Frederico (Kalandraka, 2004), por exemplo, onde o leitor fora já confrontado com topoi basilares como o autoconhecimento ou a afirmação da identidade através da valorização da arte (e da literatura/poesia, no caso), a obra que nos ocupa é talvez a que mais intimamente retrata a experiência vivencial do criador. É na pele de um pequeno rato – personagem, aliás, predileta de Lionni − que se veste Mateus, o protagonista deste conto que sonha em «ver o mundo». E é quando visita pela primeira vez um museu que o descobre «inteiro», ali diante dos seus olhos, nos segredos e nos mistérios da obra artística. O seu poder contagiante e libertador permite, pois, a Mateus descobrir as suas aspirações e transformá-las numa realidade: abandonar o sotão humilde que habitava e tornar-se pintor.

Ode à diferença e à individualidade humana, este álbum não só aproxima o leitor infantil do processo artístico e criativo, promovendo a valorização da arte e a possível construção de um mundo interior, como alerta, simultaneamente, para a importância do universo onírico ou, nas palavras do autor, da representação de «um mundo alternativo que ajude a criança a organizar e estruturar a sua fantasia». Evocando obras de épocas e tendências variadas (e.g., o classicismo, o impressionismo, o cubismo ou o surrealismo), O sonho de Mateus inicia, pois, os mais novos numa educação estética e numa perspetiva crítica da arte, desabrochando os seus sentidos para diferentes modos de representação. Numa técnica mista que conjuga a pintura e o habitual recurso ao recorte e à colagem de papéis de diferentes cores e texturas, as ilustrações de Lionni, carregadas de simbolismo, aliado a um humor subtil, não só recriam com detalhe e expressividade os pontos-chave da diegese, como ultrapassam a mera repetição do texto, ampliando os seus sentidos e sublinhando a individualidade do pequeno herói. 
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Um álbum particularmente admirável, ainda capaz de levantar uma velha discussão em torno da tríade artística e do objeto situado no centro da obra de arte: a expressão do artista ou a receção do espetador, eis a questão.

 Carina Rodrigues
Originalmente publicado em El Correo Gallego, a 19 de junho de 2013


segunda-feira, 21 de outubro de 2013

Literatura para a Infância e a Juventude e Educação Literária - Ed. Deriva

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«Denominador comum a todos os investigadores com trabalhos publicados no presente volume é a consideração da escrita literária para crianças e jovens, nos seus diferentes géneros e subgéneros, como elemento de base, e como recurso de valor intrínseco, imprescindível na educação literária. Mas também como matéria de conhecimento indispensável aos mediadores da leitura, quer estejamos a falar de professores, de educadores de infância, de estudantes de cursos do ensino superior vocacionados para a docência, quer de críticos, de pais, de bibliotecários e de outros promotores da leitura. Um conhecimento que, iluminado pelos desenvolvimentos recentes da investigação nesta área, implicará um estudo atento do álbum e do conto para crianças, da narrativa para jovens, da poesia e de outras modalidades de criação que são objeto de análise no leque de artigos contidos na obra agora apresentada, partindo fundamentalmente de dois espaços culturais e linguísticos muito próximos: Portugal e a Galiza».

 Via Deriva da Palavras
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domingo, 16 de junho de 2013

Entre cores e sentimentos: à descoberta do Eu e do poder sinestésico do álbum

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No árido terreno das publicações vocacionadas para os leitores mais pequenos, não surpreende que sejam autores experientes, inovadores e sensíveis − aqueles que conseguem agradar a públicos diferenciados: crianças e adultos, leitores e investigadores − a abalançarem-se em projetos como Como te sentes? (Kalandraka, 2012). Menos surpreende, ainda, que um volume como o que aqui nos ocupa seja assinado por Anthony Browne, um dos mais talentosos e imaginativos criadores de álbuns contemporâneos, cuja obra lhe trouxe, no ano 2000, o mais prestigiado galardão internacional, o Prémio Hans Christian Andersen.
      Na sua mais recente publicação, o brevíssimo texto, apresentado sob a forma de curtas orações em resposta à pergunta materializada no título/prólogo, concorre, ao lado de uma componente plástica contida e expressiva, para a configuração de uma obra minimal sobre sentimentos comuns na infância. Um livro ainda definido, segundo a editora, como sendo «de autoconhecimento e de socialização». Ora, à simplicidade aparente deste álbum e aos seus desígnios temáticos, ductilmente sintonizados com o destinatário preferencial, parecem sobrepor-se outros recursos narrativos originais e essenciais à promoção de uma educação literária e estética.
     Em diálogo com a voz omnisciente que o interroga, e que deixa, aliás, implícito o lugar do mediador no processo de receção do álbum, o pequeno protagonista, corporizado num simpático símio personificado, exprime os seus mais habituais sentimentos e estados de alma. As imagens, centradas nas ações e expressões da personagem e reproduzidas sobre fundos coloridos visual e semanticamente férteis, acompanham a estrutura repetitiva do texto, conferindo dinamismo à leitura e encorajando a sua recriação por parte da criança.


       A reforçar os conceitos recriados estão, ainda, a presença icónica de elementos simbólicos e/ou do quotidiano – incluindo intertextualidades pontuais que possibilitam ao leitor o reconhecimento de referências do seu próprio mundo visual −, mas também uma primorosa variação de planos e perspetivas, jogos cromáticos, de luzes e sombras, e até o próprio lettering. Estratégias que, em função da carga emotiva de cada conceito/leitor, potenciam uma relação sensorial e sinestésica com o álbum. Digno de nota é, ainda, o final questionador e interativo da publicação que, influenciado pelo paradigma pós-modernista, esbate as fronteiras que separam autor, narrador e leitor.
        Em suma, num registo que conjuga, com habitual delicadeza, o humor e a sensibilidade interior dos seres, este volume explicitamente destinado às primeiras idades transporta a criança numa jornada em busca de si mesmo, funcionando como espelho, não tanto para uma autocontemplação narcísica, mas antes para o conhecimento/aceitação do Eu e a sua observação para além das aparências.
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Carina Rodrigues
Originalmente publicado em El Correo Gallego, a 1 de maio de 2013
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sábado, 4 de maio de 2013

O dia em que a mamã ficou com cara de chaleira , de Raquel Saiz e João Vaz de Carvalho

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Esta é a insólita história de Marquinhos e da sua mãe que estranhamente se transforma em chaleira. Furiosa com o filho, a deitar fumo, portanto, a mãe, que toma a forma de uma chaleira, vai ser alvo de um percurso de encontros e desencontros com uma série de personagens às quais Marquinhos recorre na tentativa de resolver o seu problema. A associação real-onírico e a hesitação que suscita no leitor, a par da circularidade diegética e do carácter inconclusivo ou aberto do desfecho, são recursos essenciais para a manutenção da atenção. As diversas onomatopeias que pontuam o texto contribuem para a componente cómica que o distingue, uma vertente reforçada pelo expressivo discurso visual do artista plástico e ilustrador João Vaz de Carvalho. Neste, como em outros trabalhos artísticos, o ilustrador recria figuras humanas, quase todas narigudas e com uma invulgar expressão no olhar, a sugerir, quase sempre, uma estupefacção ou surpresa.

 

 
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Ficha técnica:

Título
O dia em que a mamã ficou com cara de chaleira |
Autor Raquel Saiz | Ilustrador João Vaz de Carvalho | Editora OQO | Local Pontevedra | Data de edição 2008 | ISBN 978-84-9871-019-9

(Sara Reis da Silva, in Casa da Leitura)
 
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quarta-feira, 30 de janeiro de 2013

Convocatória: VI Prémio Internacional Compostela

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Encontra-se aberto o concurso para o VI PRÉMIO INTERNACIONAL COMPOSTELA PARA ÁLBUNS ILUSTRADOS. As propostas deverão ser originais, inéditas e escritas em qualquer uma das línguas oficiais da Península Ibérica. Os trabalhos deverão ser enviados até ao próximo dia 1 de março de 2013. O prémio, atribuído pelo Departamento de Educação do Município de Santiago de Compostela em conjunto com a editora Kalandraka, tem um valor de 9 000 euros.

 
Mais informações AQUI

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segunda-feira, 29 de outubro de 2012

Jornadas de Literatura Infantil e Juvenil

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As III Jornadas de Literatura Infantil y Juvenil: El álbum ilustrado terão lugar entre os dias 6 e 16 de novembro na Universidad Autónoma de Madrid.

 
Mais informações AQUI
 
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Máster Álbum Infantil Ilustrado

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Em janeiro de 2013, terá início a segunda edição do Máster en Álbum Infantil Ilustrado, organizado pela Casa del Lector, da Fundação Germán Sánchez Ruipérez, em Madrid.
 
Mais informações AQUI 

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quarta-feira, 23 de maio de 2012

Álbum e Arte de mãos dadas: O artista que pintou um cavalo azul, de Eric Carle


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Na actual literatura infantil, a dimensão artística do livro deixa de se cingir, de forma exclusiva, à dimensão literária do texto ou ao valor estético das ilustrações, mantendo a Arte uma presença assídua, enquanto motivo de tematização. O álbum surge, aliás, como umas das formas mais relevantes no que toca à aproximação das suas publicações a diversos movimentos ou tendências estéticas e artísticas, proporcionando uma familiarização com técnicas, linguagens e representações distintas. Desde as adaptações bio(biblio)gráficas de importantes criadores da história da Arte, e da pintura em particular, à ficcionalização da criação artística como espelho do mundo e da individualidade humana, este segmento editorial tem aproximado o leitor infantil das mais variadas facetas da Arte, estimulando o diálogo intertextual/interartístico e despertando o interesse por um universo altamente enriquecedor e prolífico.

Em 2012, a Editorial Kalandraka dá a lume um título particularmente emblemático: O artista que pintou um cavalo azul, do ilustre criador norte-americano Eric Carle. Homenagem inequívoca a um dos mais influentes representantes do movimento expressionista na Alemanha, Franz Marc (1880-1916), o álbum em análise constitui, pois, um excelente exercício de educação visual. Inspirado na sua obra-prima, Cavalo azul I (1911), o volume classificável na tipologia do “álbum catálogo” (Ramos, 2011) desvenda, aos olhos dos mais novos, uma galeria de animais coloridos que convidam ao jogo intertextual.




Num registo inconfundível, assente no recorte/colagem de pedaços de papel matizado, as ilustrações de grandes dimensões e visualismo do autor d’A lagartinha muito comilona (2007) revelam particular expressividade e textura, numa representação pouco convencional do traço, das formas e das cores. Marcada pela simplicidade e contenção vocabular, a narrativa em primeira pessoa inicia-se com uma breve apresentação da figura elogiada − «Sou um artista e pinto...». Aí então, segundo uma estratégia enumerativa polissindética, tipicamente conotada com o discurso infantil, sucedem-se vários animais divertidos e, retomando as palavras do autor, «pintados com cores ‘erradas’».




Se, por um lado, a composição gráfica do álbum convida ao virar de página, sugerindo o enigma e a enunciação de hipóteses interpretativas; por outro, as incongruentes opções cromáticas face à natureza de cada um dos seres retratados e o absurdo das associações propostas promovem a surpresa e o humor. Num desfecho marcadamente lúdico − quiçá, irónico − e, até, nonsensical, o álbum também revela um certo pendor autobiográfico, permitindo ao próprio ilustrador a apologia de um estilo distinto e recebido como controverso, sublinhando a legitimidade da liberdade do acto criador. Uma pura definição de Arte, portanto.


Referências bibliográficas:

RAMOS, Ana Margarida (2011), “Apontamentos para uma poética do álbum contemporâneo”, in Roig Rechou, Blanca-Ana, Soto López, Isabel e Neira Rodríguez, Marta (Coord.) (2011), O álbum na literatura infantil e xuvenil (2000-2010). Vigo: Xerais, pp. 13-40.


Carina Rodrigues

Originalmente publicado em El Correo Gallego, a 1 de maio de 2012
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segunda-feira, 23 de abril de 2012

V Prémio Compostela para Álbuns Ilustrados

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O álbum Parvada, dos mexicanos David Daniel Álvarez Hernández y Julia Díaz Garrido foi o vencedor do V Prémio Internacional Compostela, autorgado pelo Departamento de Educação do Município de Santiago e pela editora Kalandraka.




Seré..., com textos e ilustrações de Daniela Iride Murgia (Italia), foi a obra finalista do certame.


Mais informações AQUI

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quarta-feira, 14 de março de 2012

Revista Fuera [de] Margen

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A revista francesa Hors-Cadre[s], especializada no álbum e na ilustração, encontra-se agora disponível em Espanha, sob a chancela da Pantalia Gestión de Ideas.  Após cinco anos e dez números na sua edição original, a versão castelhana estreia com o título Fuera [de] Margen:


Mais informações AQUI

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sexta-feira, 10 de fevereiro de 2012

Congresso Internacional "Ilustrando la Diversidad"

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Encontra-se aberto o prazo para submissão de propostas e a realização da inscrição (gratuita), no Congreso Internacional "Ilustrando a Diversidade".
O congresso terá lugar entre os dias 20 e 23 de fevereiro, em Santiago de Compostela, e, nele, participarão ilustradores/as de distintos países do mundo, especialistas en arte e edição, e professionais de animação e promoção da leitura. Simultaneamente, inaugurar-se-á a Exposição ilustraMundos, patente até 20 de abril, na sala de exposições do Pazo de Fonseca.

Mais informações AQUI

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terça-feira, 10 de janeiro de 2012

Revista BLOC em linha

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Bloc, a extinta Revista Internacional de Arte e Literatura Infantil, com especial incidência no estudo do álbum ilustrado, encontra-se agora disponível em linha.
Os seus sete números publicados podem ser consultados e descarregados em: http://issuu.com/revistabloc
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quinta-feira, 24 de novembro de 2011

XVII Encontros Luso-Galaico-Franceses do Livro Infantil e Juvenil

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Os 17.º Encontros Luso-Galaico-Franceses do Livro Infantil e Juvenil, em torno d'O álbum na Literatura para a Infância, terão lugar nos próximos dias 2 e 3 de dezembro, na Escola Superior de Educação do Porto.


sexta-feira, 18 de novembro de 2011

4.º CJ Picture Book Award

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Eis os vencedores da 4.ª edição do CJ Picture Book Award...


Na categoria dos melhores álbuns ilustrados ou "Novas publicações":



Casualidad, com texto de Pepe Monteserín e ilustrações de Pablo Amargo
(Barbara Fiore Editora, Espanha)



Die grosse flut, de Nina Wehrle e Evelyne Laube
(SJW, Suíça)



El mar y otras cosas de las que también me acuerdo, de Mónica Gutiérrez Serna
(Thule Ediciones, Espanha)



Les poings sur les îles, de Elise Fontenaille e Violeta Lopiz
(Éditions du Rouergue, França)



L' ombra e il bagliore, de Jack London e Fabian Negrin
(Orecchio Acerbo, Itália)


Nesta categoria, foram finalistas os seguintes volumes de autoria portuguesa:

- Se eu fosse um livro, da dupla André e José Jorge Letria
- O primeiro gomo da tangerina, de Sérgio Godinho e Madalena Matoso
- Depressa, devagar, de Isabel Martins e Bernardo Carvalho

- Um dia, um guarda-chuva, de Davide Cali e Valerio Vidali
- Siga a seta!, de Isabel Martins e Andrés Sandoval
- Praia-mar, de Bernardo Carvalho
- Trocoscópio, de Bernardo Carvalho


Na categoria das melhores ilustrações foram distinguidos:

- A explorer in mind space, de Osamu Komatsu (Japão)
- Die grosse flut, de Nina Wehrle e Evelyne Laube (Suíça)
- Jemmy Button, de Valeri Vidali e Jennifer Uman (Itália)
- Von einem, der auszog das furchten zu lernen, de Doris Freigofas (Alemanha)
- Words / Palabras, de Santiago Montes de Oca (México)


E a única finalista portuguesa foi Inês Oliveira, com a obra Faces.


Mais informações AQUI



terça-feira, 16 de agosto de 2011

Convocatória: Prémio Lazarillo Álbum Ilustrado 2011

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Com o propósito de estimular a produção de álbuns ilustrados destinados ao público infantil, a Organização Espanhola para o Libro Infantil e Juvenil (OEPLI), com o patrocínio do Ministério de Cultura de Espanha, convoca ao "Premio Lazarillo Álbum Ilustrado 2011".


O concurso está aberto até ao dia 15 de Setembro de 2011.


Mais informações AQUI



quinta-feira, 7 de julho de 2011

Manuela Bacelar: uma voz precursora na criação de álbuns em Portugal

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Parece evidente a insuficiente difusão e o injustificado silêncio crítico de que vêm sendo alvo alguns nomes incontornáveis do actual panorama editorial português para a infância, e de que padece, entre outros vultos de invejável mestria no domínio da escrita e/ou da ilustração, Manuela Bacelar (MB).


A par de um percurso durável enquanto ilustradora dos textos de vozes consagradas da Literatura Infantil e Juvenil lusa, a sua incursão no picture book converteu-a, há mais de duas décadas, numa das figuras precursoras e seguramente mais emblemáticas neste tipo de edição em Portugal, sobretudo no que à sua actividade de autora única diz respeito.


Ilustração de Tobias, os sete anões e etc.


Recorrendo, pois, às técnicas de construção de um dos mais ousados e complexos segmentos no quadro da produção editorial para os mais novos, cujo discurso narrativo resulta fundamentalmente da cúmplice interacção dos códigos verbal e visual, predominam, na obra de MB, ambientes que oscilam entre a realidade e o universo fantástico/onírico, personagens infantis e/ou animais humanizadas, incluindo outras figuras tipificadas do imaginário da criança, bem como eixos ideotemáticos (alguns emergentes, como o multiculturalismo e a homossexualidade) ligados à tolerância e à diferença, à viagem, à liberdade e ao sonho. Desenvolvidas em torno de acções precisas e condensadas, as suas narrativas, frequentemente construídas a partir de mecanismos metatextuais e metaficcionais, mantêm ainda, do ponto de vista do tratamento diegético, a coloquialidade e a vivacidade discursiva mais apropriadas à competência leitora infantil.

Seja num conto autónomo (como nos títulos O Dinossauro (1990), O Meu Avô (1990), Bernardino (2005), O Livro do Pedro (2008), editados pelas Edições Afrontamento) ou integrado numa colecção (recordem-se as séries “Tobias” (Porto Editora) e “Bublina” (Desabrochar), ambas editadas na década de 90), seja num álbum de tipo narrativo ou visual (como é o caso dos álbuns Tobias, os sete anões e etc. (1990) e Sebastião (2004), quase exclusivamente compostos por imagens), MB deixa-se levar pelo experimentalismo e desobedece, sem medos, aos cânones convencionais da representação textual e visual, combinando múltiplos discursos, vozes e registos linguísticos, e pondo em diálogo diversas visões do mundo.


Ilustração de Tobias, os sete anões e etc.


Numa engenhosa combinação estética e literária, em que o maravilhoso e o humor (e, até, a ironia) são estruturantes, o texto, tendencialmente mais neutro, alia-se a amplas e expressivas ilustrações, onde as reiteradas referências intertextuais/interartísticas desempenham funcionalidades semânticas, apelando, não raras vezes, a um leitor experiente pela pluralidade de níveis de leitura que induzem.

Diversas vezes premiada e com mais de meia centena de publicações em Portugal e no estrangeiro, MB é autora de uma obra sui generis que merece ser conhecida por leitores de todo o mundo e de todas as idades.


Carina Rodrigues

Originalmente publicado em El Correo Gallego, a 31 de Maio de 2011