Mostrar mensagens com a etiqueta Metaficção. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Metaficção. Mostrar todas as mensagens

segunda-feira, 13 de junho de 2011

Zoo, de Suzy Lee


.


Obra premiada, Zoo volta a assentar no binómio realidade/fantasia para narrar, tanto com recurso à imagem como à palavra escrita, a história de uma menina que se perde dos pais durante uma visita ao jardim zoológico.

Num
registo, portanto, distinto com o qual nos veio familiarizando a autora sul-coreana, nomeadamente, na sua trilogia de álbuns visuais, A onda, Espelho e Sombras (este último igualmente sem edição em Portugal), a acção desenrola-se, agora, a partir de um jogo paralelístico entre cada dupla página ilustrada, onde se alternam paletas cromáticas distintas – uma com cores suaves em tons de cinza e bege, e outra ampla e variadamente colorida – e se evoca a justaposição de dois mundos antagónicos: por um lado, o mundo real ligado à frenesi do casal na busca da filha, e, por outro, o universo fantasioso e onírico que a menina-protagonista comparte e goza, espontaneamente, com os animais do zoo.






Marca da especial mestria da criadora para manusear ceras, aguarelas e recortes, conserva um papel redobrado, nesta obra, a própria componente plástica (incluindo a paratextual), que não só acrescenta inúmeros pormenores ao texto verbal, ampliando os seus sentidos e complicando até, por momentos, o enredo e a sua interpretação por parte do leitor, como comprova, através das suas mais variadas potencialidades, o poder da cor na expressão de uma vasta gama de emoções.





Ficha técnica:


Título Zoo Autor Suzy Lee Ilustrador Suzy Lee Editora Los cuatro azules Local Madrid Data de edição 2010 ISBN 978-849-37295-4-7

.

quinta-feira, 25 de novembro de 2010

Uma obra original, ousada e, simplesmente, genial...

.

Assinado por Christian Voltz, este pequeno álbum, desta vez consagrado à criação literária, vem corroborar a originalidade e a relevância da obra do artista, tanto do ponto de vista da sua construção diegética como da articulação pictórico-verbal, resultante, entre outros aspectos, de um extraordinário e eficaz aproveitamento paratextual. Numa história, aparentemente plana mas um tanto esquisita, de uma menina pirata à procura do príncipe encantado, imiscui-se, numa espécie de leitor lambda, uma pequena personagem esquissada acompanhada do seu gato, que, a cada virar de página, vai comentando (e criticando) a história e a própria composição – textual e icónica – da página. É precisamente no jogo de paralelismos, nos cortes abruptos na diegese, na caracterização e até no cómico da personagem ou da linguagem utilizada, que avulta a «genialidade» da obra. O pequeno interveniente, que, logo na capa, se interroga (tal como a criança-leitora que detém o livro nas mãos) sobre a estranheza do título, rapidamente se torna um herói do leitor, como também do autor – que chega mesmo a interpelar para satirizar o seu trabalho –, e aquilo que não passava de um simples desenho converte-se numa autêntica personagem voltziana – construída a partir de uma multiplicidade de materiais reciclados, a que o criador nos tem, aliás, habituado –, surpreendida e encantada com uma inesperada reviravolta narrativa, onde se apaixona pela primeira heroína e vivem juntos uma feliz história de amor, reconhecendo, em nota final, ser este «o livro mais genial que alguma vez tenha lido...».



Carina Rodrigues (in Casa da Leitura)

terça-feira, 2 de novembro de 2010

Quando texto, ilustração e design se entrelaçam...

.

Da autoria de uma das mais originais e talentosas criadoras britânicas de álbuns ilustrados, este extraordinário volume constitui um inequívoco exemplo das mais férteis potencialidades do género, distinguindo-se por um ousado e mui sui generis projecto gráfico, indutor de um jogo de sentidos e de um processo de leitura visivelmente alternativo e complexo. Numa espécie de dicionário ilustrado dos medos, um pequeno rato atemorizado, munido de um lápis de carvão, percorre cada uma das páginas do livro, que risca e rabisca para descrever, verbal e visualmente, as suas (e não só…) maiores fobias, ante situações, objectos, animais e lugares. A nota dominante da obra reside precisamente na sua mise en page e na eficácia da articulação verbo-icónica, onde as diferentes sugestões plásticas, compostas a partir de uma técnica mista assente no recurso ao desenho, à aguarela e à montagem digital de materiais originais e diversificados, além de redimensionarem o texto – que integram, não raro, através de mecanismos metalinguísticos e metaficcionais –, convidam a um rigoroso exercício visual, estético e, até, manipulativo. O cómico (nas suas três vertentes) e a nonsensicalidade que sustentam o habitual registo de Emily Gravett sublinham a dimensão lúdica e humorística da publicação, contribuindo para a desmistificação do conceito cristalizado e colaborando activamente na manutenção da atenção do leitor.



Carla Maia de Almeida prepara a tradução portuguesa desta obra n
otável, que deverá chegar aos nossos escaparates ainda antes do final do ano, sob a chancela da Livros Horizontes.


Carina Rodrigues (
in Casa da Leitura)

N. B.: Falou-se, já, de Emily Gravett AQUI