sábado, 9 de junho de 2012

quarta-feira, 23 de maio de 2012

Álbum e Arte de mãos dadas: O artista que pintou um cavalo azul, de Eric Carle


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Na actual literatura infantil, a dimensão artística do livro deixa de se cingir, de forma exclusiva, à dimensão literária do texto ou ao valor estético das ilustrações, mantendo a Arte uma presença assídua, enquanto motivo de tematização. O álbum surge, aliás, como umas das formas mais relevantes no que toca à aproximação das suas publicações a diversos movimentos ou tendências estéticas e artísticas, proporcionando uma familiarização com técnicas, linguagens e representações distintas. Desde as adaptações bio(biblio)gráficas de importantes criadores da história da Arte, e da pintura em particular, à ficcionalização da criação artística como espelho do mundo e da individualidade humana, este segmento editorial tem aproximado o leitor infantil das mais variadas facetas da Arte, estimulando o diálogo intertextual/interartístico e despertando o interesse por um universo altamente enriquecedor e prolífico.

Em 2012, a Editorial Kalandraka dá a lume um título particularmente emblemático: O artista que pintou um cavalo azul, do ilustre criador norte-americano Eric Carle. Homenagem inequívoca a um dos mais influentes representantes do movimento expressionista na Alemanha, Franz Marc (1880-1916), o álbum em análise constitui, pois, um excelente exercício de educação visual. Inspirado na sua obra-prima, Cavalo azul I (1911), o volume classificável na tipologia do “álbum catálogo” (Ramos, 2011) desvenda, aos olhos dos mais novos, uma galeria de animais coloridos que convidam ao jogo intertextual.




Num registo inconfundível, assente no recorte/colagem de pedaços de papel matizado, as ilustrações de grandes dimensões e visualismo do autor d’A lagartinha muito comilona (2007) revelam particular expressividade e textura, numa representação pouco convencional do traço, das formas e das cores. Marcada pela simplicidade e contenção vocabular, a narrativa em primeira pessoa inicia-se com uma breve apresentação da figura elogiada − «Sou um artista e pinto...». Aí então, segundo uma estratégia enumerativa polissindética, tipicamente conotada com o discurso infantil, sucedem-se vários animais divertidos e, retomando as palavras do autor, «pintados com cores ‘erradas’».




Se, por um lado, a composição gráfica do álbum convida ao virar de página, sugerindo o enigma e a enunciação de hipóteses interpretativas; por outro, as incongruentes opções cromáticas face à natureza de cada um dos seres retratados e o absurdo das associações propostas promovem a surpresa e o humor. Num desfecho marcadamente lúdico − quiçá, irónico − e, até, nonsensical, o álbum também revela um certo pendor autobiográfico, permitindo ao próprio ilustrador a apologia de um estilo distinto e recebido como controverso, sublinhando a legitimidade da liberdade do acto criador. Uma pura definição de Arte, portanto.


Referências bibliográficas:

RAMOS, Ana Margarida (2011), “Apontamentos para uma poética do álbum contemporâneo”, in Roig Rechou, Blanca-Ana, Soto López, Isabel e Neira Rodríguez, Marta (Coord.) (2011), O álbum na literatura infantil e xuvenil (2000-2010). Vigo: Xerais, pp. 13-40.


Carina Rodrigues

Originalmente publicado em El Correo Gallego, a 1 de maio de 2012
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terça-feira, 8 de maio de 2012

Maurice Sendak (10 de junho de 1928 - 8 de maio de 2012)


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Os monstros soltaram os seus terríveis rugidos,
e rangeram os seus terríveis dentes,
e reviraram os seus terríveis olhos
e mostraram as suas terríveis garras.
Mas Max meteu-se no seu barco e despediu-se.


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segunda-feira, 23 de abril de 2012

V Prémio Compostela para Álbuns Ilustrados

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O álbum Parvada, dos mexicanos David Daniel Álvarez Hernández y Julia Díaz Garrido foi o vencedor do V Prémio Internacional Compostela, autorgado pelo Departamento de Educação do Município de Santiago e pela editora Kalandraka.




Seré..., com textos e ilustrações de Daniela Iride Murgia (Italia), foi a obra finalista do certame.


Mais informações AQUI

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quarta-feira, 11 de abril de 2012

Encontro de LIJ: "Palavras para que vos quero"

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No próximo dia 14 de Abril decorrerá o "Palavras para que vos quero",  o 3º Encontro de Literatura Infanto-Juvenil da S.P.A., na Biblioteca  Municipal Almeida Garrett. A entrada é gratuita.

(Clique na imagem para ampliar)
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segunda-feira, 2 de abril de 2012

Mensagem do Dia Internacional do Livro Infantil

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Era uma vez um conto que contava o mundo inteiro
 
 
Francisco Hinojosa
 
 
“Era uma vez um conto que contava o mundo inteiro. Na verdade não era só um, mas muitos os contos que enchiam o mundo com as suas histórias de meninas desobedientes e lobos sedutores, de sapatinhos de cristal e príncipes apaixonados, de gatos astutos e soldadinhos de chumbo, de gigantes bonacheirões e fábricas de chocolate. Encheram o mundo de palavras, de inteligência, de imagens, de personagens extraordinárias. Permitiram risos, encantos e convívios. Carregaram-no de significado. E desde então os contos continuam a multiplicar-se para nos dizerem mil e uma vezes: “Era uma vez um conto que contava o mundo inteiro…”
 
Quando lemos, contamos ou ouvimos contos, cultivamos a imaginação, como se fosse necessário dar-lhe treino para a mantermos em forma. Um dia, sem que o saibamos certamente, uma dessas histórias entrará na nossa vida para arranjar soluções originais para os obstáculos que se nos coloquem no caminho.
 
Quando lemos, contamos ou ouvimos contos em voz alta, estamos a repetir um ritual muito antigo que cumpriu um papel fundamental na história da civilização: construir uma comunidade. À volta dos contos reuniram-se as culturas, as épocas e as gerações, para nos dizerem que japoneses, alemães e mexicanos são um só; como um só são os que viveram no século XVII e nós mesmos, que lemos um conto na Internet; e os avós, os pais e os filhos. Os contos chegam iguais aos seres humanos, apesar das nossas grandes diferenças, porque no fundo todos somos os seus protagonistas. Ao contrário dos organismos vivos, que nascem, reproduzem-se e morrem, os contos são fecundos e imortais, em especial os da tradição oral, que se adequam às circunstâncias e ao contexto do momento em que são contados ou rescritos. E são contos que nos tornam seus autores quando os recontamos ou ouvimos.

E também era uma vez um país cheio de mitos, contos e lendas que viajaram durante séculos, de boca em boca, para mostrar a sua ideia de criação, para narrar a sua história, para oferecer a sua riqueza cultural, para aguçar a curiosidade e levar sorrisos aos lábios. Era igualmente um país onde poucos habitantes tinham acesso aos livros. Mas isso é uma história que já começou a mudar. Hoje os contos estão a chegar cada vez mais aos lugares distantes do meu país, o México. E, ao encontrarem os seus leitores, estão a cumprir o seu papel de criar comunidades, de criar famílias e de criar indivíduos com maior possibilidade de serem felizes.”


Tradução: Maria Carlos Loureiro (DGLB)


A Mensagem do Dia Internacional do Livro Infantil é uma iniciativa do IBBY (Internacional Board on Books for Young People), difundida em Portugal pela APPLIJ (Associação Portuguesa para a Promoção do Livro Infantil e Juvenil), Secção Portuguesa do IBBY.
 
 
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quinta-feira, 29 de março de 2012

quarta-feira, 14 de março de 2012

Revista Fuera [de] Margen

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A revista francesa Hors-Cadre[s], especializada no álbum e na ilustração, encontra-se agora disponível em Espanha, sob a chancela da Pantalia Gestión de Ideas.  Após cinco anos e dez números na sua edição original, a versão castelhana estreia com o título Fuera [de] Margen:


Mais informações AQUI

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domingo, 11 de março de 2012

Le roi est occupé, de Mario Ramos




Neste original livro animado, é o próprio leitor que protagoniza a história, e que, após milhentas tentativas infrutuosas, não conformado com o status quo do mundo onde vive, se infiltra, corajosamente, no castelo de um rei muito ocupado, a fim de lhe manifestar a sua revolta. Mas, para aceder ao salão real, o leitor terá de ser prudente e suficientemente ardiloso, para descobrir, página a página, as passagens secretas que lhe permitem atravessar todas as divisões da fortaleza, sem se deixar surpreender, todavia, por uns pequenos monstros assustadores que poderá encontrar no seu caminho. A sua configuração pull tab e o amplo e pormenorizado universo imagético que mancha as suas páginas devolvem ao álbum de Mario Ramos a sua interactividade e energia, numa história de aparente simplicidade, mas cujo final inesperado, e até risonho, suscita vários níveis de leitura, podendo muito bem funcionar como uma crítica à dicotomia essência/aparência e um apelo a uma ética social igualitária.




Ficha técnica:

Título
 Le roi est occupé |
Autor Mario Ramos | Ilustrador Mario Ramos  | Editora L'école des Loisirs | Local Paris | Data de edição 2009 | Data da 1.ª edição 1999 | ISBN 978-221-104-829-3




Carina Rodrigues (in Casa da Leitura)