domingo, 16 de junho de 2013

Entre cores e sentimentos: à descoberta do Eu e do poder sinestésico do álbum

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No árido terreno das publicações vocacionadas para os leitores mais pequenos, não surpreende que sejam autores experientes, inovadores e sensíveis − aqueles que conseguem agradar a públicos diferenciados: crianças e adultos, leitores e investigadores − a abalançarem-se em projetos como Como te sentes? (Kalandraka, 2012). Menos surpreende, ainda, que um volume como o que aqui nos ocupa seja assinado por Anthony Browne, um dos mais talentosos e imaginativos criadores de álbuns contemporâneos, cuja obra lhe trouxe, no ano 2000, o mais prestigiado galardão internacional, o Prémio Hans Christian Andersen.
      Na sua mais recente publicação, o brevíssimo texto, apresentado sob a forma de curtas orações em resposta à pergunta materializada no título/prólogo, concorre, ao lado de uma componente plástica contida e expressiva, para a configuração de uma obra minimal sobre sentimentos comuns na infância. Um livro ainda definido, segundo a editora, como sendo «de autoconhecimento e de socialização». Ora, à simplicidade aparente deste álbum e aos seus desígnios temáticos, ductilmente sintonizados com o destinatário preferencial, parecem sobrepor-se outros recursos narrativos originais e essenciais à promoção de uma educação literária e estética.
     Em diálogo com a voz omnisciente que o interroga, e que deixa, aliás, implícito o lugar do mediador no processo de receção do álbum, o pequeno protagonista, corporizado num simpático símio personificado, exprime os seus mais habituais sentimentos e estados de alma. As imagens, centradas nas ações e expressões da personagem e reproduzidas sobre fundos coloridos visual e semanticamente férteis, acompanham a estrutura repetitiva do texto, conferindo dinamismo à leitura e encorajando a sua recriação por parte da criança.


       A reforçar os conceitos recriados estão, ainda, a presença icónica de elementos simbólicos e/ou do quotidiano – incluindo intertextualidades pontuais que possibilitam ao leitor o reconhecimento de referências do seu próprio mundo visual −, mas também uma primorosa variação de planos e perspetivas, jogos cromáticos, de luzes e sombras, e até o próprio lettering. Estratégias que, em função da carga emotiva de cada conceito/leitor, potenciam uma relação sensorial e sinestésica com o álbum. Digno de nota é, ainda, o final questionador e interativo da publicação que, influenciado pelo paradigma pós-modernista, esbate as fronteiras que separam autor, narrador e leitor.
        Em suma, num registo que conjuga, com habitual delicadeza, o humor e a sensibilidade interior dos seres, este volume explicitamente destinado às primeiras idades transporta a criança numa jornada em busca de si mesmo, funcionando como espelho, não tanto para uma autocontemplação narcísica, mas antes para o conhecimento/aceitação do Eu e a sua observação para além das aparências.
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Carina Rodrigues
Originalmente publicado em El Correo Gallego, a 1 de maio de 2013
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sábado, 4 de maio de 2013

O dia em que a mamã ficou com cara de chaleira , de Raquel Saiz e João Vaz de Carvalho

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Esta é a insólita história de Marquinhos e da sua mãe que estranhamente se transforma em chaleira. Furiosa com o filho, a deitar fumo, portanto, a mãe, que toma a forma de uma chaleira, vai ser alvo de um percurso de encontros e desencontros com uma série de personagens às quais Marquinhos recorre na tentativa de resolver o seu problema. A associação real-onírico e a hesitação que suscita no leitor, a par da circularidade diegética e do carácter inconclusivo ou aberto do desfecho, são recursos essenciais para a manutenção da atenção. As diversas onomatopeias que pontuam o texto contribuem para a componente cómica que o distingue, uma vertente reforçada pelo expressivo discurso visual do artista plástico e ilustrador João Vaz de Carvalho. Neste, como em outros trabalhos artísticos, o ilustrador recria figuras humanas, quase todas narigudas e com uma invulgar expressão no olhar, a sugerir, quase sempre, uma estupefacção ou surpresa.

 

 
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Ficha técnica:

Título
O dia em que a mamã ficou com cara de chaleira |
Autor Raquel Saiz | Ilustrador João Vaz de Carvalho | Editora OQO | Local Pontevedra | Data de edição 2008 | ISBN 978-84-9871-019-9

(Sara Reis da Silva, in Casa da Leitura)
 
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quarta-feira, 30 de janeiro de 2013

Convocatória: VI Prémio Internacional Compostela

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Encontra-se aberto o concurso para o VI PRÉMIO INTERNACIONAL COMPOSTELA PARA ÁLBUNS ILUSTRADOS. As propostas deverão ser originais, inéditas e escritas em qualquer uma das línguas oficiais da Península Ibérica. Os trabalhos deverão ser enviados até ao próximo dia 1 de março de 2013. O prémio, atribuído pelo Departamento de Educação do Município de Santiago de Compostela em conjunto com a editora Kalandraka, tem um valor de 9 000 euros.

 
Mais informações AQUI

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quinta-feira, 10 de janeiro de 2013

Novidades...


... na Kalandraka:

 
  
 

 
 ... na OQO:
 
    
 
 
  
... no Planeta Tangerina:
 
   
 
 
 ... e na Bruáá:
 
 

 
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segunda-feira, 29 de outubro de 2012

Jornadas de Literatura Infantil e Juvenil

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As III Jornadas de Literatura Infantil y Juvenil: El álbum ilustrado terão lugar entre os dias 6 e 16 de novembro na Universidad Autónoma de Madrid.

 
Mais informações AQUI
 
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Máster Álbum Infantil Ilustrado

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Em janeiro de 2013, terá início a segunda edição do Máster en Álbum Infantil Ilustrado, organizado pela Casa del Lector, da Fundação Germán Sánchez Ruipérez, em Madrid.
 
Mais informações AQUI 

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quinta-feira, 13 de setembro de 2012

De capuz, chapelinho e gorro...

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Editado no âmbito do bicentenário da primeira edição dos contos dos irmãos Grimm (1812), o 5.º volume da colecção Percursos da Literatura Infanto-Juvenil, intitulado De capuz, chapelinho ou gorro - Recriações de O Capuchinho Vermelho na Literatura Portuguesa para a Infância, de Sara Reis da Silva, apresenta um conjunto de leituras em torno de uma das mais famosas narrativas aí incluídas: O Capuchinho Vermelho.
Este texto, tornado famoso, em 1697, pela mão de Charles Perrault e, posteriormente, no século XIX, pela mão dos referidos folcloristas alemães, além de pertencer à memória literária colectiva universal e de constituir um dos textos mais lidos em contextos formais e não formais de contacto com a leitura literária, tem sido alvo de inúmeras recriações no nosso país (e não só). Assim, tendo como objecto de estudo obras/textos de autoria variada e genelogicamente diversos (designadamente de Alice Gomes, Luísa Ducla Soares, Alice Vieira, Matilde Rosa Araújo, Vergílio Alberto Vieira ou Manuel António Pina, entre outros), as análises reunidas neste livro articulam uma abordagem da vertente verbal e da componente ilustrativa (assinada, por exemplo, por João da Câmara Leme, André Letria ou Paula Rego). A diversidade de referências aqui incluídas poderá possibilitar a outros investigadores, profissionais de educação e mediadores de leitura mais ou menos especializados uma leitura alargada e/ou um/a eventual conhecimento/consolidação de reescritas e revisitações da história clássica protagonizada pela menina do Capuchinho Vermelho.
(Via Tropelias&Companhia)

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quinta-feira, 19 de julho de 2012

CONFIA 2012

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A primeira Conferência Internacional sobre Ilustração e Animação do Instituto Politécnico do Cávado e do Ave, organizada pelo Departamento de Design da Escola Superior de Tecnologia no âmbito do Mestrado em Ilustração e Animação, terá lugar em Ofir (Portugal), de 30 de Novembro a 1 de Dezembro de 2012.

 Aceitam-se propostas de comunicações até 31 de agosto de 2012, nos seguintes grupos temáticos:

1. Desenho/Ilustração (desenho tradicional, desenho contemporâneo, ilustração gráfica, ilustração infográfica, ilustração editorial, ilustração infantil, desenho de personagens, banda desenhada e romances gráficos, ilustração científica).

2. Animação (animação 2D, animação 3D, animação para videojogos, animação de personagens, animação para realidade virtual ou aumentada, animação em meios de comunicação interactivos, gráficos de movimento, som e animação).

3. Teoria da arte aplicada à ilustração e à animação (narrativas lineares, escrita criativa, cultura visual, narrativas interactivas, animação narrativa e não-narrativa, pedagogia da ilustração e da animação, autoria na animação ou na ilustração).


Mais informações AQUI
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